Da janela da Câmara, ainda no edifício dos antigos Paços Filipinos, o Dr. Carlos Coelho observava o numeroso grupo que abaixo, no Pelourinho rodeava um automóvel que era visto pela primeira vez na Covilhã – um Wolkswagen, que mais tarde receberia a alcunha de “carocha”. O carro alemão, que em breve encheria as estradas portuguesas a partir desse ano de 1950, não era bonito mas apresentava umas quantas novidades e inovações mais do que suficientes para despertar a curiosidade geral: o motor de 1100 cm3 encontrava-se na traseira e era arrefecido a ar, logo não tinha radiador da água. Vinha com a fama – mais tarde confirmada – de ser um veículo com a enorme resistência e durabilidade características da indústria automóvel alemã. A sua caixa de 4 velocidades Porche, tornar-se-ia famosa pela facilidade de manuseamento.
Se a curiosidade era geral, os comentários que suscitava já eram díspares: habituados aos automóveis com três volumes, criticavam-se as linhas, tipo ovo, do carro, outros a pequena bagageira situada à frente da viatura que ainda tinha que comportar a roda sobresselente e outros ainda a visão para trás do habitáculo: uma janela relativamente pequena e dividida a meio. Não obstante este carro viria a ser o maior êxito de vendas do sector automóvel em Portugal, superando o popular Citroën Legère (a famosa arrastadeira), o Peugeot 203 e o Renault 4 Joaninha que também eram relativamente populares. O Wolkswagen custava então 49 mil escudos. Não tardaria muito a ganhar o concurso público para equipar a Polícia de Viação e Trânsito que fiscalizava as estradas e outras entidades estatais.
Foi nesse ano também que envergou a camisola do Sporting Clube da Covilhã André Simony, o jogador mais famoso em Portugal que o clube contratou. Os “leões da serra” obteriam um notável 6.º lugar no Campeonato Nacional da 1ª Divisão.
Em entrevista ao Século, Salazar faz a afirmação de que a Rússia tinha começado a deitar fogo a África. A conferência de Bandung (1955) viria dar forças a esse movimento afro-asiático, suporte dos movimentos de libertação nacional que surgem com o claro apoio da URSS e a expectativa benevolente dos EUA, desde há muito interessados em reforçar posições no continente africano. De facto os ventos da independência semeados na Índia, na Indochina francesa e nos domínios holandeses do Índico, alastravam aos países do norte de África e começavam a agitar a África Negra criando um movimento internacional entre os países afro-asiáticos, designado por países “não alinhados” que reunira inicialmente no Ceilão e que viria a culminar com a Conferência de Bandung, em que estiveram 29 Estados representando 1.350 milhões de habitantes. Nessa conferência foram lançados os princípios políticos do "não alinhamento" (Terceiro Mundismo), ou seja, de uma postura diplomática e geopolítica de equidistância das superpotências, em muitos casos mais aparente do que real. Em todo o caso a frase de Salazar em 1950, fazia todo o sentido. A exigência de abertura de negociações para a integração do «Estado Português da Índia» na União Indiana não surgia por acaso. [PL951I]
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